Conselho Consultivo da EEUM em entrevista: Domingos Bragança

Ciclo de entrevistas aos membros do novo conselho consultivo da Escola de Engenharia. Nesta edição entrevistamos o Dr. Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães.

O Conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) é o órgão de aconselhamento dos órgãos de governo da Escola para assuntos de definição estratégica. Composto por nove personalidades externas à instituição, de reconhecido mérito nos domínios da sua atividade, estes têm como missão pronunciar-se sobre assuntos de caráter pedagógico, científico e de interação com a sociedade.

Como recebeu/percecionou o convite para integrar o Conselho Consultivo da EEUM?

Recebi o convite com satisfação e honra, entendendo-o como sinal de que as Instituições, hoje mais do que nunca, veem como necessária uma atenção a visões de “fora-para-dentro” e à auscultação de opiniões do tecido social, cultural e económico relevante para a sua área de atuação.

Em termos gerais, quais as principais mais-valias que considera que um órgão de aconselhamento como este pode trazer para a estratégia da EEUM?

Ainda que um Conselho Consultivo não seja um órgão dotado de poder decisório, ele pode ser fundamental para que as Instituições validem o cumprimento da sua missão e objetivos, aconselhando os seus órgãos de decisão nas escolhas através de pareceres ou de informações relevantes para as áreas em que estas atuam. Daí que a proveniência dos conselheiros deva ter em conta uma alargada representação dos setores da sociedade servidos pela EEUM. Este contributo de membros externos no Conselho Consultivo pode, inclusive, influenciar a visão de futuro com base em diferentes perspetivas, que não enfermam de uma ligação afetiva inibidora da crítica.

Qual a sua perceção da evolução da EEUM e do seu contributo para o desenvolvimento da região do Minho nos últimos cinco anos?

A EEUM tem vindo a desempenhar um papel de grande relevo no desenvolvimento da região do Minho nos últimos anos, facto que se deve aos seus projetos de ensino e de investigação, bem como à atividade dos Centros de Investigação e do trabalho em colaboração com outras instituições. De suma importância para a projeção da EEUM, o consórcio com a Bosch, iniciado em 2016, promove a capacidade de I&D da instituição e capta as atenções do tecido empresarial, contribuindo para o alargamento da cooperação entre a EEUM e outras empresas.

Não é despicienda, neste sucesso, a aposta feita em 2017 numa estratégia de promoção da atividade da EEUM junto da sociedade, e da ligação estreita às autarquias do Quadrilátero (Guimarães, Braga, Barcelos e Famalicão). A ligação ao tecido empresarial da região, que acentua o contributo para o desenvolvimento, também se manifesta em iniciativas para a empregabilidade, como é exemplo o Dia do Emprego da Semana da Escola de Engenharia que, em 2019, contou com a participação de 92 empresas que geraram 1700 ofertas de emprego. Todos estes números e os demais que podem ser consultados nos Relatórios de Atividade dos últimos 5 anos, permitem-nos concluir, sem qualquer dúvida, que a EEUM emerge como um polo transformador e catalisador de desenvolvimento.

De que forma pode a EEUM desempenhar um papel mais ativo junto das autarquias no sentido de as apoiar quer a nível estratégico, quer operacional?

Há uma inegável “força motriz” que reside nas Instituições de Ensino Superior, pois são elas as responsáveis pela formação dos futuros quadros das empresas e é nelas que reside grande parte da capacidade de I&D, esta última tanto mais relevante quanto maior for o número de pequenas e médias empresas da região onde se inserem. Este facto é válido para o Concelho de Guimarães.

Por esse motivo, o triângulo Autarquia-Universidade-Empresas é decisivo para que se consiga algo, entre o que são as expetativas e as necessidades das empresas e a oferta curricular das Instituições de Ensino Superior. Modelos como os de um “Observatório da Empregabilidade” podem contribuir para esse ajustamento, importante para fixar os jovens no território através da conjugação da oferta e da procura. Um modelo que pode albergar não apenas as autarquias, empresas e Universidade, mas também outros organismos de Estado, associações profissionais e, eventualmente, alguns clusters específicos.

Numa outra dimensão, a relação com o tecido empresarial permitirá alavancar o seu desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, tornar as empresas mais competitivas, num quadro global em que o conhecimento científico é, cada vez mais, decisivo para o sucesso internacional. É nesta dicotomia entre o ajustamento da oferta e da procura e a investigação e o desenvolvimento que a EEUM pode ser decisiva, aos níveis estratégico e operacional, no desenvolvimento do território.

A Escola de Engenharia tem como missão ser um motor de criação de indústrias inovadoras, com e de futuro, colaborativas e competitivas a nível nacional e internacional. Em que medida esta missão está, ou poderá ser alinhada com o plano estratégico de desenvolvimento de Guimarães?

A missão da EEUM de se constituir como motor de criação de indústrias inovadoras está perfeitamente alinhada com o Plano Estratégico de desenvolvimento de Guimarães. Este alinhamento está claramente evidenciado na medida recente da autarquia a que presido e que deu origem à criação do Gabinete de Transição Económica do Município de Guimarães.

O Plano de Ação que foi idealizado contém um desafiador conjunto de programas de transformação económica e digital, baseados na implementação de tecnologias de criação de valor, alavancadas através da Investigação e Desenvolvimento. Um Plano de Ação que assenta num modelo de transferência de conhecimento dos Centros de Investigação para todas as áreas da atividade humana, o que só pode ser conseguido através de uma estreita colaboração entre Instituições de Ensino e Sociedade.

O facto da EEUM estar representada no Plano de Ação do Gabinete de Transição Económica do Concelho de Guimarães através de alguns dos investigadores dos seus centros de investigação, com um papel decisivo na implementação de Projetos Colaborativos entre empresas do Concelho de Guimarães, é exemplificador da importância da EEUM no plano estratégico de desenvolvimento de Guimarães, assim como do apoio a nível estratégico e operacional que pode ser prestado.

No passado dia 06 de outubro, a Escola de Engenharia apresentou oficialmente a sua assinatura de marca “Tomorrow Needs Engineering”. Trata-se de uma iniciativa da atual presidência com o intuito de afirmar o posicionamento da EEUM como instituição de ensino e investigação moderna com capacidade e provas dadas para enfrentar os desafios de “amanhã”, e uma comunidade convicta de que a Engenharia que cria diariamente fará a diferença no Futuro. Entende que foi oportuna esta iniciativa? A assinatura de marca em inglês, na sua opinião, reflete o conceito que se pretende associar à marca?

A iniciativa de apresentação da marca “Tomorrow Needs Engineering”, como assinatura oficial de EEUM, foi importante e oportuna. Desde logo, porque também serviu para assinalar o 45º aniversário da Escola de Engenharia, uma data com significado acrescido, sobretudo numa época em que a perenidade é cada vez menos vincada.

Por outro lado, porque simboliza um compromisso forte e assertivo da EEUM para com a sua missão e objetivos, dizendo claramente porque existe e para que existe. A assinatura de marca em inglês confere-lhe uma dimensão cosmopolita, sobretudo no contexto cada vez mais presente de colaboração internacional, consubstanciada nos protocolos com outras Instituições de Ensino Superior, de que o MIT é exemplo recente. Nesta senda de projeção internacional, dir-se-ia que uma marca em inglês, mais do que refletir o conceito que se pretende associar, apresenta-se como estratégica e fundamental.

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