Conselho Consultivo da EEUM em entrevista: Carlos Ribas

carlos_ribasCiclo de entrevistas aos membros do novo conselho consultivo da Escola de Engenharia. Nesta edição entrevistamos o Eng. Carlos Ribas, representante da Bosch Portugal.

O Conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) é o órgão de aconselhamento dos órgãos de governo da Escola para assuntos de definição estratégica. Composto por nove personalidades externas à instituição, de reconhecido mérito nos domínios da sua atividade, estes têm como missão pronunciar-se sobre assuntos de caráter pedagógico, científico e de interação com a sociedade.

Como percecionou o convite para integrar o Conselho Consultivo da EEUM?

Obviamente fiquei muito lisonjeado pelo convite, vem acrescentar mais comunicação e partilha de informação às parcerias muito profícuas que partilhamos há muitos anos.

Em termos gerais, quais as principais mais-valias que considera que um órgão de aconselhamento como este pode trazer para a estratégia da EEUM?

Penso ser de grande importância juntar a indústria e a academia, propor estratégias académicas para os cursos em função das competências que o mercado/industria necessitam e da perceção de necessidades futuras.

O facto de os convidados para o Conselho Consultivo serem originários de diversas áreas de negócio, permite trazer visões muito diversificadas das várias áreas do mercado e ,com isso, melhor preparar os nossos talentos futuros.

Qual a sua perceção da evolução da EEUM e do seu contributo para o desenvolvimento da região do Minho nos últimos anos?

Penso não existir dúvidas quanto à “culpa” que atribuímos à Universidade do Minho pelo desenvolvimento muito significativo da região, muito em particular no seu tecido industrial. A qualidade do talento criado pela Universidade do Minho faz com que esta região esteja a crescer muito significativamente na área industrial/TICE já há alguns anos. Isto permite às grandes multinacionais, já instaladas na região, de crescer e outras novas a instalarem-se por cá.

O projeto Bosch-UMinho é uma parceria estratégica para ambas as instituições, e que já deu frutos no desenvolvimento da nossa região e, até mesmo, do país. Em que sentido evoluirá esta parceria?

Partilhando recursos de uma forma eficaz e eficiente temos conseguido atingir objetivos comuns de inovação tecnológica, aumentando, desta forma, as nossas competências e competitividade.
O foco desta parceria é produzir conhecimento em inovação aplicável nos produtos que pretendemos lançar no mercado ou na melhoria continua dos nossos processos produtivos.
Outro aspeto fundamental desta parceria é o talento fornecido/cedido pela UMinho para os projetos de inovação em capital humano e a transferência de parte desse capital humano para a nossa organização. Entendemos também que este trabalho conjunto em inovação, traz importantes ensinamentos para a UMinho, vitais para se manter na vanguarda do conhecimento e da melhoria continua do seu já elevado nível de qualidade de ensino.

Nós, Bosch Braga, entendemos que só o domínio do básico da tecnologia não nos traz vantagem competitiva. A UMinho é, por isso, uma mais-valia que contribui eficazmente na área de desenvolvimento da nossa organização e, por consequência, da região e do país.

De que forma pode a EEUM desempenhar um papel mais ativo junto das empresas no sentido de as apoiar em termos de formação contínua de recursos humanos, quer em termos mais operacionais, como a resolução de problemas nas áreas produtivas?

Este modelo de parceria entre a Bosch e a Universidade do Minho proporciona desenvolvimento de competências e partilha de experiências, melhorando fortemente a empregabilidade no mercado de trabalho.

Estes alunos e investigadores envolvidos nos projetos conjuntos são uma fonte estratégica de recrutamento para a Bosch, bem como para outras organizações. Estes trazem energia, entusiasmo e vontade para alcançar sucesso. São também uma mais valia para o resto do país que pode usufruir de profissionais bem formados, com experiência em tecnologia de vanguarda e que rapidamente se podem converter em valor acrescentado para as organizações onde vão ser integrados e, por consequência, para país.
Tem sido sempre nossa intenção, e recomendamos fortemente a todas as organizações, levar a academia para dentro das suas organizações, aprender com os jovens estudantes e prepará-los para as necessidades do mercado.

Não vejo muitas recomendações que possa fazer,  mas mais precisão no cumprimento das atividades seguramente ajudaria, em determinados grupos melhorar um pouco a comunicação também se pode tornar uma valia acrescida.

No passado dia 06 de outubro 2020, a Escola de Engenharia apresentou oficialmente a sua assinatura de marca “Tomorrow Needs Engineering”. Trata-se de uma iniciativa da atual presidência com o intuito de afirmar o posicionamento da EEUM como instituição de ensino e investigação moderna com capacidade e provas dadas para enfrentar os desafios de “amanhã”, e uma comunidade convicta de que a Engenharia que cria diariamente fará a diferença no Futuro. Entende que foi oportuna esta iniciativa? A assinatura de marca em inglês, na sua opinião, reflete o conceito que se pretende associar à marca?

A tecnologia já é hoje muito importante, no futuro vai-se tornar ainda mais importante na vida das pessoas. A tecnologia tradicional ajudada pelas novas tecnologias, tais como Inteligência Artificial, Machine Learning, Big Data, entre outras, vai fazer com que a vida das pessoas seja mais confortável e conectada no futuro.
Pelo que acabo de descrever, as engenharias ainda vão ser mais fundamentais no futuro,  pois são as várias áreas da engenharia que criam a tecnologia que, no futuro, vão melhorar a vida das pessoas, como por exemplo, a condução autónoma, o auxilio médico, a monitorização de pacientes, a previsão de ocorrências, etc.  A assinatura da marca em Inglês reflete, sem dúvida, o que se pretende, uma participação internacional, com os grandes players mundiais da área de ensino.

O facto de alguns alunos em fase de doutoramento serem diretamente abordados e contratados por divisões da Bosch e se mudarem para a Bosch na Alemanha, mostra o quanto alinhada está esta  mensagem em Inglês.

 

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