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Estudantes da UMinho desenvolvem Aurora Mission com validação da Agência Espacial Portuguesa

Um satélite de 10x10x10 cm, biologia em órbita e um sistema que permite “hibernar” células remotamente. Há mais de um ano e meio, uma equipa de estudantes da Universidade do Minho está a desenvolver a Aurora Mission, um CubeSat 1U que integra um payload biológico e um sistema de hibernação celular controlado remotamente, uma abordagem pioneira no formato 1U. A missão conta com validação da Agência Espacial Portuguesa.

O projeto começou fora do guião típico do setor espacial: dois estudantes, sem estrutura prévia e sem financiamento inicial. Pedro Ferreira Borges, então estudante de Medicina, e Guilherme Santos, estudante de Engenharia Aeroespacial, decidiram transformar uma hipótese ambiciosa numa missão real, e construir, do zero, uma equipa capaz de a executar com rigor de engenharia.

Hoje, a Aurora Mission reúne mais de 60 estudantes de mais de 15 cursos, organizados em 11 departamentos técnicos e 7 subsistemas, numa estrutura inspirada em metodologias de missões espaciais profissionais.

Três escalas de inovação:

A equipa destaca três níveis de inovação associados ao projeto:

  • Nacional: primeiro satélite português a integrar um payload biológico;
  • Europeu: primeiro CubeSat 1U europeu com payload biológico;
  • Global: integração, num 1U, de um sistema de hibernação celular com controlado remotamente.

Além destas linhas principais, a equipa refere a existência de desenvolvimentos adicionais protegidos por propriedade intelectual.

O que muda na prática: democratizar experiências biológicas no espaço.

O objetivo vai além do “feito técnico”. A Aurora Mission pretende tornar mais acessível a investigação biológica em ambiente espacial, uma área que, hoje, exige infraestruturas complexas, oportunidades limitadas e orçamentos elevados.

Ao permitir controlo remoto sobre o payload biológico num espaço tão restrito, incluindo a gestão de fases de atividade e “hibernação”, o projeto aponta para um modelo mais modular, escalável e replicável, capaz de baixar barreiras à experimentação em órbita para universidades, centros de investigação e, no futuro, outros atores.

De improvável a inevitável

Missões deste nível são normalmente conduzidas por grandes organizações e consórcios internacionais. A Aurora Mission mostra que uma equipa universitária, quando une talento, método e execução disciplinada, consegue desenvolver tecnologia espacial com relevância real.

O satélite ainda está em desenvolvimento, mas a trajetória já é clara: a partir de uma ideia improvável, nasceu uma organização técnica e multidisciplinar que procura levar ciência e engenharia portuguesas mais longe. E só assim a obra nasce.

A Escola de Engenharia felicita os estudantes pela Aurora Mission e pelo entusiasmo e empenho neste projeto, verdadeira prova-viva do espírito empreendedor e inovador da Escola de Engenharia da Universidade do Minho.