No âmbito da unidade curricular Laboratórios Integrados em Engenharia Aeroespacial, do 3.º ano da Licenciatura em Engenharia Aeroespacial, os estudantes participaram no dia 13 janeiro num desafio prático que culminou na demonstração de robots móveis capazes de recolher berlindes numa arena com obstáculos.
A unidade curricular, dinamizada por docentes do Departamento de Eletrónica Industrial Alexandre Ferreira da Silva, Tiago Gomes e Daniel Rocha, está estruturada em duas fases. Numa primeira etapa, os estudantes, organizados em grupos de dois, trabalham conteúdos de sistemas embebidos, eletrónica, instrumentação e sensores, e controlo por computador. Numa segunda fase, passam à construção do robot, agora em grupos de quatro, integrando os diferentes módulos desenvolvidos ao longo do semestre.
A demonstração final assume o formato de um concurso, com um sistema de pontuação que valoriza não só o número de berlindes capturados, mas também a capacidade de evitar obstáculos, permanecer dentro da arena e regressar ao ponto de partida no final do tempo de prova.
Com um caráter fortemente prático, esta unidade curricular procura que os estudantes sejam capazes de concretizar fisicamente desafios de engenharia, fornecendo-lhes as bases técnicas necessárias e deixando liberdade a cada grupo para decidir como integrar os diferentes elementos do sistema. No início do semestre, cada grupo recebe um kit base, composto por uma estrutura de robot com duas rodas motrizes e um conjunto de sensores, que serve de ponto de partida para o desenvolvimento do projeto.
Segundo o regente da unidade curricular, trata-se de uma UC exigente, que requer dedicação dentro e fora da sala de aula: “Em cada aula é dada uma peça do puzzle. Ao longo do semestre, os estudantes começam a juntar essas peças e, na fase final, quando constroem e testam o robot, é como se montassem o puzzle completo.”
Este desafio permite estabelecer um paralelismo direto com o contexto aeroespacial, em particular com a utilização de sistemas robóticos de exploração em ambientes remotos. Tal como em missões de exploração planetária, os robots desenvolvidos pelos estudantes têm de integrar sensores, sistemas de atuação, controlo e tomada de decisão autónoma para operar num ambiente limitado, com obstáculos e objetivos bem definidos. A necessidade de recolher “amostras”, evitar obstáculos, manter-se dentro de uma área de operação e regressar a um ponto seguro reflete, à escala laboratorial e de ensino, os mesmos princípios de engenharia que estão na base de rovers planetários e outras plataformas robóticas utilizadas na exploração espacial.