O Projeto PROCRYSTAL, coordenado pela Escola de Engenharia da UMinho, visa formar uma nova geração de investigadores especializados em cristalização, uma tecnologia com potencial para tornar a produção de biofármacos mais eficiente, sustentável e acessível.
Os biofármacos – medicamentos cuja substância ativa é de origem biológica – são utilizados no tratamento de doenças oncológicas, crónicas e raras, distinguindo-se pela sua elevada especificidade terapêutica. Contudo, a sua produção enfrenta, atualmente, desafios significativos em termos de custo, eficiência e sustentabilidade. O Projeto europeu PROCRYSTAL, financiado pelas Ações Marie Skłodowska-Curie, pretende responder a estas limitações através da formação de 15 doutorados na área da cristalização, uma tecnologia com potencial para tornar os processos de separação e purificação mais ecológicos e escaláveis. Desta forma, será possível melhorar o acesso a medicamentos e a sua distribuição em todo o mundo.
O Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Escola de Engenharia da UMinho assume a coordenação do PROCRYSTAL e desempenha um papel central na formação dos doutorados e no desenvolvimento de atividades experimentais, acolhendo parte dos trabalhos de investigação e colaborando com parceiros industriais e tecnológicos.
Esta formação avançada combina competências em bioquímica, engenharia química e de processos, modelação e simulação, num ambiente interdisciplinar e intersectorial, envolvendo parceiros académicos e industriais de vários países. O objetivo é preparar investigadores capazes de responder aos desafios atuais da indústria biofarmacêutica, aumentando a sua empregabilidade e competitividade a nível internacional.
A cristalização, amplamente utilizada na indústria farmacêutica para a purificação de moléculas de origem química, apresenta ainda uma aplicação limitada na área da biofarmacêutica, onde predominam técnicas como a cromatografia. No entanto, estas apresentam elevados custos, baixa escalabilidade e um impacto ambiental significativo, podendo representar até 70% dos custos totais de produção de biofármacos.
Perante este cenário, o PROCRYSTAL visa explorar a cristalização como uma alternativa mais verde, simples e eficiente, capaz de reduzir o consumo de energia, os custos de produção e a dependência de equipamentos e materiais dispendiosos. Além disso, as formulações cristalinas poderão oferecer maior estabilidade aos biofármacos, facilitando o seu armazenamento e distribuição, especialmente em contextos com recursos limitados.
Apesar de o projeto se encontrar ainda numa fase inicial, com os 15 doutorandos já recrutados, os trabalhos em curso deverão contribuir para o desenvolvimento de novas abordagens na separação e purificação de biomoléculas, incluindo proteínas, péptidos e anticorpos monoclonais, bem como para a sua aplicação em escala industrial.
Além do impacto científico e tecnológico, a investigação destaca-se pelo seu contributo para a sustentabilidade e para a saúde global. Ao tornar os processos de produção de biofármacos mais eficientes e económicos, o PROCRYSTAL poderá aumentar o acesso a medicamentos e melhorar a sua distribuição, nomeadamente em países em desenvolvimento.
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