Aluno da EEUM cria Re-Coffee – Bicas nos pés

Uma marca de calçado sustentável, feita de borras de café e de outros materiais reciclados ou vegan, para reduzir a pegada ecológica.

Grão a grão, consegue-se fazer a diferença. No caso da primeira coleção da Re-Coffee, foram utilizadas as borras de cerca de 33 cafés expressos, matéria-prima que tinha como destino mais provável o aterro, para produzir um par de sapatilhas. “Como é um resíduo que liberta monóxido de carbono, é um problema para o meio ambiente”, explica Rui Monteiro, o mentor do projeto. A vontade de criar um produto sustentável, de valor acrescentado, começou a ganhar forma à mesa de um café, frequentado pelo estudante do mestrado em Engenharia de Materiais da EEUMinho. Foi lá que se apercebeu da quantidade de desperdício gerada e de como era urgente pensar na sua reutilização.

A utilização das borras do café em sapatilhas não foi a solução mais óbvia, mas, após um ano a pensar em diferentes aplicações, desenvolveu esta ideia com a ajuda da Bolflex, empresa produtora de componentes de calçado, e percebeu que tinha pernas para andar. Muitas horas de investigação e de experiências se seguiram, até chegar ao resultado final. “Além de ser um material único, tem a vantagem de se continuar a sentir um ligeiro aroma a café, que neutraliza outros odores mais desagradáveis, e a borracha não envelhece tão rapidamente”, adianta Rui. A gávea das Kaffa (o nome da primeira coleção da Re-Coffee) é feita de coffee leather (50% borra de café e 50% borracha reciclada), o interior é constituído por fibra de coco, a palmilha é em poliuretano reciclado, enquanto a sola tem 30% de borra de café e 70% de borracha reciclada. Por enquanto, existe apenas um modelo, unissexo e confortável, em seis cores diferentes (EUR119 a EUR129), do latte machiatto ao matcha. Mas a marca deverá lançar botas, sapatos clássicos, bolsas, sacos e mochilas ao longo deste ano. “O coffee leather é bastante versátil”, acrescenta Rui. E outras aplicações das borras de café estão já a ser pensadas.

Fonte: Visão.

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