Ciclo de entrevistas aos membros do novo Conselho Consultivo da Escola de Engenharia. Nesta edição entrevistamos a Eng. Teresa Martins, General Manager da NEADVANCE.
O Conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) é o órgão de aconselhamento dos órgãos de governo da Escola para assuntos de definição estratégica. Composto por nove personalidades externas à instituição, de reconhecido mérito nos domínios da sua atividade, estes têm como missão pronunciar-se sobre assuntos de caráter pedagógico, científico e de interação com a sociedade.
Como recebeu o convite para integrar o Conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e que significado atribui a esta ligação, enquanto líder de uma empresa altamente especializada em visão por computador e inteligência artificial aplicada à indústria?
O convite para integrar o conselho Consultivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho foi motivo de muito orgulho, satisfação e sentimento de reciprocidade.
A missão do Conselho Consultivo é aproximar a Escola da sociedade e das empresas, contribuindo para a definição da visão e do desenvolvimento da mesma. A minha ligação a este Conselho significa o fortalecimento da ligação da Universidade às empresas, através do aconselhamento estratégico e da identificação de tendências científicas e tecnológicas nas áreas de conhecimento e de atuação da NEADVANCE
Tendo também um percurso académico ligado à Universidade do Minho, de que forma encara esta participação no Conselho Consultivo: como uma responsabilidade institucional, uma oportunidade de retribuição ou também como uma forma de aproximar ainda mais a Escola dos desafios tecnológicos que hoje se colocam à indústria?
A Universidade do Minho foi a minha universidade, quer na licenciatura quer no mestrado, onde adquiri os conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento do meu percurso profissional. Por isso, encaro esta participação como uma oportunidade de retribuir à instituição parte do contributo que teve na minha formação e no meu percurso.
No entanto e muito para além deste sentimento, esta ligação é uma excelente oportunidade de trabalhar e desenvolver a ligação da Escola e as empresas.
Sendo a automação industrial, baseada em Visão por Computador e Inteligência Artificial, uma área de excelência para o desenvolvimento industrial das fábricas inteligentes e a sendo a NEADVANCE uma empresa especialista no desenvolvimento deste tipo de produtos para o mercado global, a minha participação, enquanto líder da NEADVANCE, poderá contribuir para aproximar ainda mais a Escola da realidade industrial, partilhando uma visão sobre a evolução tecnológica e as necessidades de setores altamente exigentes, como a indústria automóvel e aeroespacial.
Na sua perspetiva, que valor distintivo pode trazer à reflexão estratégica da EEUM a presença, neste órgão, de uma empresa como a NEADVANCE, que atua em domínios de elevada intensidade tecnológica como a visão artificial, a automação e os sistemas inteligentes?
A NEADVANCE poderá trazer um contributo distintivo para a reflexão estratégica da Escola de Engenharia da Universidade do Minho pela sua experiência no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para indústria.
A sua atividade em domínios como a visão artificial, a inteligência artificial, a automação e os sistemas inteligentes proporciona uma visão privilegiada sobre as tendências tecnológicas e as competências que irão moldar a engenharia do futuro. Esta perspectiva poderá contribuir para a evolução da oferta formativa, para a identificação de novas áreas de investigação e para o reforço da ligação entre a Escola e o tecido empresarial.
Adicionalmente, a experiência da NEADVANCE em projetos de I&D colaborativos e em mercados internacionais poderá apoiar o desenvolvimento de parcerias estratégicas, promover a transferência de conhecimento e aproximar os estudantes dos desafios reais da indústria.
Considero que o principal valor distintivo da NEADVANCE reside na sua capacidade de aportar uma visão estratégica da evolução tecnológica e das necessidades da indústria, contribuindo para que a EEUM continue a formar engenheiros preparados para responder aos desafios da inovação e da competitividade global.
Enquanto membro externo deste órgão, que tipo de contributo gostaria de deixar à Escola de Engenharia num momento em que a formação em engenharia é chamada a responder a contextos produtivos cada vez mais digitalizados, automatizados e orientados por dados?
A Escola de Engenharia deve refletir de modo a antecipar as competências que serão cada vez mais necessárias e valorizadas na indústria. As fábricas estão a evoluir para ambientes altamente digitalizados, automatizados e orientados por dados, onde sistemas inteligentes, visão artificial, inteligência artificial e robótica colaborativa desempenham um papel central na automação e otimização dos processos produtivos.
Esta transformação resulta da integração de múltiplas áreas e tecnologias, exigindo profissionais com uma sólida formação científica, mas também com capacidade para integrar conhecimentos de diferentes áreas, inovar e adaptar-se à constante evolução tecnológica.
Neste contexto, a Escola de Engenharia deve continuar a reforçar uma formação multidisciplinar, complementada pelo desenvolvimento de competências como o pensamento crítico, a criatividade, a curiosidade, o espírito empreendedor e a capacidade de trabalhar em equipas multidisciplinares. A proximidade à indústria e o contacto com desafios reais serão igualmente fundamentais para preparar engenheiros capazes de liderar a transformação digital e tecnológica das empresas.
Nos próximos três anos, em que áreas considera que a experiência da NEADVANCE pode ser mais útil para apoiar a Escola de Engenharia, nomeadamente em domínios como visão por computador, inteligência artificial, inspeção automática, robótica, controlo de qualidade e digitalização industrial?
A experiência da NEADVANCE poderá ser particularmente relevante nas áreas da visão por computador, inteligência artificial, inspeção automática da qualidade, robótica, automação e digitalização industrial.
Este conhecimento poderá apoiar a Escola de Engenharia na identificação de tendências tecnológicas, na aproximação da investigação às necessidades da indústria e no desenvolvimento de projetos colaborativos de I&D. Poderá também contribuir para a atualização da oferta formativa, para a criação de oportunidades de estágios e dissertações em contexto empresarial.
Que oportunidades identifica para uma colaboração mais estreita entre a EEUM e a NEADVANCE ao nível de projetos conjuntos, experimentação tecnológica, estágios, dissertações e desenvolvimento de soluções com aplicação direta em ambientes industriais reais?
Considero que existem diversas oportunidades para reforçar a colaboração entre a EEUM e a NEADVANCE. Para além da realização de estágios curriculares e profissionais, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em temas de interesse comum, poderão ser desenvolvidos projetos colaborativos de I&D orientados para desafios industriais concretos, envolvendo docentes, investigadores e estudantes.
A promoção de workshops temáticos, seminários técnicos, demonstrações tecnológicas e outras iniciativas que aproximem os estudantes da realidade industrial e das tecnologias emergentes têm também muito valor para a NEADVANCE.
Numa altura em que tecnologias como a visão artificial e a inteligência artificial estão a transformar profundamente os sistemas de produção, que competências considera mais importantes reforçar na formação dos futuros engenheiros?
As competências em programação, ciência de dados, visão por computador, inteligência artificial, cibersegurança e comunicações devem ser reforçadas. Paralelamente, é importante compreender conceitos de automação, robótica, interoperabilidade e processos produtivos.
O desenvolvimento destas competências técnicas tem de ser complementado com o desenvolvimento de capacidades como o pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a criatividade e a adaptabilidade, uma vez que as tecnologias evoluem rapidamente e exigem aprendizagem contínua.
O desenvolvimento de competências de trabalho em equipa multidisciplinar e gestão de projetos é fundamental, dado que os desafios envolvem profissionais de diferentes áreas e requerem uma forte capacidade de colaboração.
Por fim, considero indispensável integrar na formação uma reflexão sobre a ética e a utilização responsável da inteligência artificial, preparando os futuros engenheiros para desenvolver soluções tecnologicamente avançadas, mas também seguras, sustentáveis e centradas nas pessoas.
Se tivesse de apontar duas ou três iniciativas prioritárias a desenvolver entre a EEUM e a NEADVANCE nos próximos três anos, que apostas consideraria mais relevantes para gerar impacto ao nível da inovação aplicada, da qualificação de talento e da ligação entre a Escola e a indústria?
As iniciativas mais interessantes e prioritárias a desenvolver entre a EEUM e a NEADVANCE são as seguintes:
Divulgação junto dos alunos das licenciaturas do tipo atividade de R&D, tipo de projetos e desafios da NEADVANCE, para despertar ou aumentar o interesse pelas áreas ligadas à indústria e à automação.
Alargar a colaboração com alunos de doutoramento da Escola de Engenharia.