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Investigadores da Escola de Engenharia estudam vulcão Cumbre Vieja em La Palma

Cinzas, gases e lava libertados pelo vulcão em erupção permitiram testar as sondas que os investigadores do CMEMS estão a desenvolver

O CMEMS – Center for MicroElecrtoMechanics Systems da Escola de Engenharia está a desenvolver um projeto que pretende contribuir para uma melhor monitorização atmosférica e oceânica, desenvolvendo um sistema duplamente inovador: sondas capazes de monitorizar continuamente vários parâmetros de interesse, desde a estratosfera até ao mar profundo; e um sistema de transporte para estas sondas, baseado num balão de alta altitude. Quando o vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Canárias, entrou inesperadamente em erupção, os investigadores viram uma oportunidade única de testar a sua investigação num ensaio real.

A erupção produziu cinzas e gases que se dispersaram desde o solo até níveis altos da atmosfera e emitiu lavas que chegaram ao mar, causando um impacto na zona costeira. “Este cenário gerou condições ótimas para o teste dos protótipos de sondas ao nível do solo, a níveis altos da atmosfera, e em ambiente aquático, bem como a todo o sistema de comunicações com os vários componentes do dispositivo”, referem os investigadores em comunicado.

Durante a erupção, realizaram-se duas missões ao vulcão, em outubro e em dezembro. “Quando se deu a tragédia do vulcão de La Palma, os nossos parceiros da Universidade dos Açores propuseram a possibilidade de testar os equipamentos no vulcão Cumbre Vieja, uma vez que tinham colaborações ativas com o Observatório de Izaña da Agência Estatal de Meteorologia de Espanha (AEMET). Começamos a preparar a companha duas semanas antes da viagem. A campanha previa a deslocação de dois investigadores por instituição e pelo CMEMS iria eu e o investigador Tiago Matos. Contudo, no dia anterior à viagem, fui impossibilitado de viajar, uma vez que me encontrava em isolamento”, refere Marcos Martins, Co Investigador Principal do projeto.

“O projeto estava apenas em execução há menos de 10 meses, mas a equipa tentou testar o máximo de sensores e soluções possíveis. Esta oportunidade permitiu implementar um caso de estudo em situação extrema que, naturalmente, não tinha sido prevista na candidatura do projeto”, acrescenta.

O projeto traz, em relação às sondas, a inovação de monitorizar continuamente parâmetros de interesse, desde a estratosfera até ao mar profundo. Ao atingir o fundo do mar, a sonda permanecerá lá por um período pré-definido, monitorizando todas as variáveis, incluindo a imagem acústica do oceano. A sonda voltará depois à superfície para transmitir os dados adquiridos à estação de controlo, através de satélite ou outro link de comunicação disponível.

Para transportar as sondas, este projeto desenvolve uma solução para os balões de alta altitude, que permite controlar o volume e a carga do balão, mantendo-o no ar por mais tempo e tornando-o, não só um excelente observador atmosférico, mas também num repetidor de comunicações entre as sondas lançadas e uma estação de controlo no solo, reduzindo os custos habituais de comunicação por satélite.

O projeto SONDA é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e desenvolvido pelo Instituto de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, pelo CMEMS – Center for MicroElecrtoMechanics Systems da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e pelo Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores. Marcos Martins, Luís Gonçalves, Tiago Matos, Carlos Faria e João Rocha são os investigadores do CMEMS a desenvolver o projeto.